Bel. Vinícius Esperança
O título desta pastoral já deveria valer por sí mesmo, mas vamos ponderar sobre algumas questões que corroboram a inicisiva afirmação já que uma das marcas do nosso tempo e, especialmente em nossa cultura é a privatização da religião.
O que é isto: a privatização da religião? Parece difícil, mas não é. Nós o fazemos cotidianamente. Significa, simplesmente, transformar a religião em mais um dos departamentos da vida pessoal do indivíduo, algo do seu Âmbito íntimo e privado. Dessa forma, a pessoa possui um emprego, uma família, uma cor preferida, um gosto por música, um time de futebol pelo qual você torce e… uma religião. E ainda mais, sua religião é pessoal, íntima e deve-se respeitar a individualidade ea privacidade de seu credo de tal forma que não deve haver nenhum tipo de cobrança, crítica ou interdição. Cada um deve crer do jeito que quizer e manisfestar esteriormente, ou não, sua crença da maneira que quiser, também.
Hoje, pelo menos em nossa cultura ociental, vivemos o sonho da irrestrita liberdade religiosa, mas o sonho milenar do verdadeiro diálogo entre as religões que visa à paz entre os homens está muito longe. A liberdade de culto é uma vitória humanitária que não se pode perder de vista nem subestimar seu valor mas o lado sombrio da moeda é relegar a religião a tornar-se um dos muitos cômodos da casa.
Algúem poderia objetar que reclamar deste evento é coisa de religioso mal amado e renegado ao ostracismo, mas na verdade, a questão está muito longe de um mero acerto de contas. A privatização da religião é uma fraude auto-realizada porque a produtora de felicidade e miséria entre os homens. Ela ainda possui o mesmo poder de encantar e desencantar o mundo, produzir guerras e paz, fabricar monstros piores que o Diabo e heróis do tamanho de Deus.
Privatizar a religão é um erro inominável cujas consequências são tão desastrosas quanto um cataclisma social. Nossa religião, ou a falta dela, tem inevitavelmente profundos efeitos sociais, existenciais, psicológicos e políticos. Afeta nossa relação com nosso ego, com os outros seres humanos, com a sociedade, a política e ao meio ambiente. Se não o fizer, perde o sentido de ser uma religião e transforma-se num mero passatempo.
Não se engane, irmão. Sua religião tem a ver com os outros, sim. Tem a ver com aqueles que te cercam, com tua família, com a sociedade. Sendo cristão, tem a ver com a missão de Jesus Cristo encarnada na Igreja de levar o Evangelho aos pobres e trazer o Reinaldo de Deus entre os homens.
Ser cristão é assumir a missão de Jesus Cristo. Ser cristão é viver mergulhado na prática do amor, que é sair de si em direção ao outro. Amar é desprivatizar a devoção pessoal e torná-la pública, visíveln notória.
Chega de pensar na Igreja como aquele lugar legal em que revejo os amigos e exercito meu ” departramento ” de espiritualidade. Não sejamos conformados a este século, mas transformemos este século através da mensagem do Evangelho. Saibamos que a hora é esta de levantar nossa bandeira e assumir os riscos e compromissos de trazer Jesus Cristo ressurreto estampado em nossa prática.
Que Aquele que fez levantar Cristo dentre os mortos nos ajude nesta árdua tarefa.